Mundo descartável – O que fazer?

      Hoje, quando peguei minha calculadora para fazer uma conta, vi que algumas teclas não funcionavam. Como tenho conhecimentos em eletrônica, pensei: “Bom, não vou jogar fora, apesar de ser barato, se eu jogar fora vira lixo, e pelo que vejo o circuito eletrônico está funcionando, basta limpar!”. Ok, abri a calculadora (uma “Classe”, “Made in china”, comprada em uma loja do meu bairro. O que constatei? Que o problema era que a membrana do teclado se deteriorou, sendo impossível “remendar” a folha de plástico nos quais as trilhas de carbono foram montadas, e com isso, seria impossível consertar a calculadora. Muitos me diriam: “Mas veja, ela custou “barato”! Sim, mas independente de ter custado R$5,00 ou R$50,00 , eu não vejo motivos para uma calculadora ser feita para se estragar a não ser um único motivo: Incentivar o consumismo!

       Vamos voltar no tempo: Na época de nossos avós (ou tataravós), as coisas eram feitas para durar. As pessoas sabiam que as coisas exigiam trabalho para serem feitas, e por isso tinham que ser boas, de qualidade. Também na época, as pessoas não queriam descartar as coisas, porque não havia a tal “coleta de lixo”, por isso, tinham que evitar gerar lixo. Também eram caras as coisas, por isso, era uma boa prática “consertar” o que estragou.

         Hoje os valores são outros: As pessoas jogam fora coisas ainda funcionando porque alguém inventou outra “bugiganga” nova, mais bonita, e tecnologicamente mais avançada!. Ok, eu mesmo gosto disso, sério, quero ter um Ipad, um Iphone e um Iqualqueroutracoisa. Mas tem que durar! Acredito até que estes novos equipamentos durem muito, mas se por algum acidente ele se estraga, para se desmontar o equipamento, é necessário quase que “Destruir o equipamento”. Ele não foi feito para ser consertado, e quando ele estragar, você será incentivado a comprar outro, pois consertar custará talvez mais do que comprar um novo!

           Mas porque alguém iria querer consertar algo, ao invés de simplesmente descartar e ficar com o novo?

           Bom, pra sair fora do bordão “ecologia”, “sustentabilidade”, e outras coisas que no fundo, no fundo, são apenas paliativos para o problema, existem fatos que as pessoas realmente desconsideram: Primeiramente, o “novo” também custa “dinheiro”, ou seja, não vem de graça, e mesmo que custe a metade do equipamento antigo (o que não é verdade na maioria dos casos), ainda assim te fará tirar dinheiro do bolso.  Já por aí, deveria ser um bom argumento a se pensar antes de simplesmente jogar as coisas fora e comprar outras. E por outro lado, por trás das “atualizações” de recursos e funções que os equipamentos novos sofrem – O que até que não é ruim, muito pelo contrário, é bom e não é o problema  – vem a necessidade de aprendizado do uso das novas funções, cuja utilidade é questionável e que é empurrado “Goela abaixo”, sem uma mínima reflexão da nossa parte se realmente seria necessário. A simples manutenção, nos pouparia um tempo precioso que não temos hoje em dia, e mesmo que tal equipamento venha a ser considerado obsoleto, poderíamos continuar a usar ele para o propósito que foi desenvolvido, porque não?

        Trocar de equipamento nos obriga a passar por um novo processo de aprendizado no uso do novo equipamento, Eu, por exemplo, não tenho dificuldades em fazer isso, mas muitas pessoas tem, e as vezes, elas não conseguem usar a funcionalidade básica do equipamento. Vários Celulares hoje em dia são verdadeiros supercomputadores, entretanto, poucas são as pessoas que realmente usam todas as funções. As vezes, funções úteis, como recurso de gravação da ligação não estão disponíveis – O que é uma pena, pois poderíamos gravar s conversas com os atendentes dos SAC’s – mas o programa de identificação da música que está tocando no ambiente e que está “bombando”, está lá, instalado.

E o que deveria ser feito então para saber o que esperar de um equipamento?

           Simples: Toda empresa deveria informar, além do “prazo de garantia” ou de “validade” de um produto, o prazo de vida  útil do equipamento, que é diferente da garantia. Garantia é o tempo que o fabricante garante que o equipamento não dará defeito, independente do uso intensivo ou não do mesmo, sendo obrigado o fabricante a arcar com os custos de manutenção. Já a “Vida útil de um equipamento” é o quanto o fabricante espera que o equipamento dure com uso normal, e que, em caso de defeito durante este período, a pessoa tenha a opção de levar até um representante do fabricante para que ele providencie a manutenção do equipamento, sendo que OBRIGATORIAMENTE, o custo da manutenção não poderá exceder  o valor de varejo do equipamento, a manutenção DEVE ser feita no prazo acordado com o cliente com um limite máximo de, por exemplo, 60 dias, sendo que prazos maiores deverão ser acertados ANTES do fechamento do acordo de manutenção, sob ressalva assinada, e cuja multa por não cumprimento dos prazos deverão ser aplicadas ao fabricante do equipamento.

Porque a necessidade de uma lei tão rigorosa sobre vida útil dos equipamentos?

  • Porque sabendo qual é a vida útil de um equipamento, podemos saber se o preço mais barato de um equipamento compensa a dor de cabeça de, no futuro, ter que levar o equipamento para uma manutenção;
  • Porque teremos a possibilidade de escolher entre os equipamentos que esperamos durar mais, e por quanto tempo ele terá suporte garantido de manutenção;
  • Porque teremos uma idéia de quanto tempo esperamos que aquele equipamento nos sirva, planejando de forma mais racional o seu descarte e a sua obsolescência.
  • Porque forçaria os fabricantes a produzirem equipamentos mais duráveis, como era antigamente.

      Pessoalmente, eu prefiro comprar uma calculadora de R$50,00 que dure 10 vezes mais do que uma calculadora similar, que faça exatamente as mesmas contas e tenham exatamente os mesmos botões, mas custe 1/10 do preço, mas que me fará deslocar e perder o tempo de ir comprar outra calculadora em pouco tempo, e pior, que depois eu terei que pensar aonde irei jogar este lixo no qual o equipamento se tornou. Só que hoje, não sei se exatamente uma calculadora mais cara é sinônimo de durabilidade. A calculadora citada neste texto durou exatos 2 anos, o que só foi conseguido porque eu fiz até “capinha” para proteger a calculadora. Eu tenho também uma calculadora HP, que sei que foi concebida sob normas rígidas de qualidade, e que irá durar por um bom tempo, e que se enquadra nestas condições de exigência minha. Mas mesmo ela, não sei quanto tempo estará funcional, não sei daqui a quanto tempo o plástico dela irá se deteriorar, enfim, não sei qual é a vida útil mínima esperada dela. Seria uma informação interessante para até mesmo eu saber quando terei que pensar em  uma nova calculadora.

      Só para constar, uma reflexão minha: Quando eu era criança eu acreditava que a tecnologia iria fazer com que as máquinas fizessem o trabalho pesado para nós, e hoje, elas realmente o fazem, com perfeição incrível. Elas plantam, montam coisas, tecem, fazem tudo tornar a nossa vida mais fácil, até falam e brincam com nossas crianças. E elas se desgastam (assim como nós também), o que é esperado. Só que fazer as máquinas se estragarem rápido, apenas vai nos tornar escravos do trabalho para conseguir novas máquinas, o que é cada vez mais difícil já que elas fazem nosso serviço. Se elas se desgastam rapidamente, nós nos desgastamos para repô-las. E pra não ficar fora da moda do momento, “A natureza agradece!” Pense nisso!

P.S. Este post sofrerá atualização com imagens, visite regurlamente meu Blog e fique por dentro.

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6 Respostas to “Mundo descartável – O que fazer?”

  1. Fabricio Trindade Says:

    Esse é o Clebão…. concordo com você planamente Cleber: em gênero e grau. Se metade das pessoas hoje tivessem 1/5 de responsabilidade e consciência das coisas como você as tem, as coisas seriam muito diferentes.

  2. denise moreira macedo alves Says:

    OI AMOR TUDO BEM !!!!

    NOSSA INTERESSANTE SEU BLOG BACANA EH COMPLICADO E EU SEMPRE ESCUTEI QUE O BARATO SAI CARO E REALMENTE EH VERDADE INFELISMENTE ISSO AINDA EXISTE ESSAS PORCARIAS QUE A GENTE COMPRA ESTRAGAM RAPIDO MAS QUANDO A GENTE PAGA CARO AI SIM DURAM MUITO MAIS MAS AGORA ESTAMOS RECICLANDO O LIXO PARA ACABAR COM A POLUIÇAO E NAO FICARMOS DOENTES COM TANTA SUJEIRA MAS VOCE QUER SER FELIZ RECICLE

  3. SILAS Says:

    Cleber,
    Concordo com vc, e os culpados desses acontecimentos além do mundo capitalista que so enxerga lucro em que vivemos é a própia população.nós alimentamos o mercado, temos que começar se um pouquinho exigentes com o produtos que compramos e ser questionadores. E vc foi muito feliz em citar que hoje os produtos não são fabricados para ser consertados característica do capitalismo de hoje. Parabéns e sucesso!!!

  4. Wilfullred Says:

    Estou com você Clebão, também adquiri uma calculadora barata com defeito na tecla de dividir, como sou curioso e tenho interesse em circuitos desmontei e fazendo uma serie de testes, cheguei a seguinte conclusão, o problema está na borrachinha que faz contato com o circuito transparente, a borrachinha se encontra desgastada.
    Por gentileza você tem alguma dica/ideia para como consertar minha calculadora barata e assim praticar a sustentabilidade!!!
    Aguardo seu retorno…

    Visite meu site:
    http://wilfullred.webng.com/index.html

    • clebermag Says:

      Existe a possibilidade de se fazer uma mistura de esmalte de unha e pó de grafite, tornando-a razoavelmente condutora. Mas o que se gasta fazendo a mistura é mais caro do que a calculadora, só é interessante de se fazer se tivermos umas duas ou três para consertar.

    • clebermag Says:

      Bom, conheço duas formas: Uma é cortando a parte condutiva de borracha de outra calculadora e colando na sua atual com alguma cola à base de borracha (existe uma tal de “fita isolante líquida” da tapmatic que dá conta do recado). Isso exige destreza na execução, mas funciona. Outra forma é usar alguma tinta condutiva. Existem algumas no mercado, mas não compensa comprar se não for para consertar vários equipamentos, por causa do preço.

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